O pequeno grande romance (ou, por que nem todos os russos precisam ser grandiloquentes)

3 jun

Como promessa de ano novo, me resignei a ler os clássicões russos (ou pelo menos grande parte deles) no decorrer de 2013. Estamos em junho, e meu processo vai mal. Até o presente momento, foram dois Dostoiévski, um Tolstói e um Gorki.

Junho. E nem comecei Guerra e Paz.

Mas toda essa introdução rocambolesca é apenas pra tratar de um romance que me parece um pouco obscurecido por todo o hyperness que cerca a obra madura de Tolstói. E por ele estar tão obtuso, porque não relembrar (a expressão “ressuscitá-lo para nossa geração” me pareceu prepotente) o grande A Morte de Ivan Ilitch?

Confesso, não possuo conhecimentos profundos da obra de Tolstói pois, diferentemente de Dostoiévski, eu não li muita coisa. E com “muita coisa” me refiro justamente às suas obras máximas. Preferi começar pelos romances menores e novelas, mas isso pode ser assunto de outro post

Pois bem, Ivan Ilitch.

Lançado após os dois grandes marcos literários do autor, Ivan Ilitch sintetiza muito da filosofia presente nos romances anteriores. Apesar de ser perpassado por uma forte áurea melancólica, explícita no título, encontramos ao seu fim o ideal de redenção pregado pelo autor nos seus anos de maturidade.

O romance tem como óbvio foco a morte do personagem do título, e seus desdobramentos na vida dos parentes e amigos deste. O egoísmo e a falsidade são expostos de modo violento, e a sensação de medo e opressão diante da morte nos é transmitida de forma tão especial, que poucas vezes pude ver isso na literatura.

Não há pregação religiosa em Ivan Ilitch. Vemos ali uma discussão profunda acerca de vida, morte e arrependimento. O viés religioso é forte, mas não opressor.

Contudo, não espere encontrar aqui uma obra assustadora e difícil de ler. O aspecto filosófico é interessante, justamente por ser algo que sempre foi discutido em todo mundo, em todos os tempos: a morte.

Pra quem deseja se aventurar nas outras obras do autor, A Morte… pode ser um bom ponto de partida.

[Retrospectiva Irmãos Marx] The Cocoanuts (1929)

22 maio

The Cocoanuts (ou como é chamado as terra tupiniquins: No Hotel da Fuzarca) é o primeiro filme dos que viriam a ser protagonizados pelos Irmãos Marx. Adaptado do musical de  mesmo nome da Broadway, é um exemplar das transposições teatro-cinema muito em voga no início da era sonora.

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A ação toda se passa no Hotel Cocoanut, administrado pelo personagem de Groucho, Mr. Hammer. O hotel passa por problemas na sua gestão de recursos, saída mais viável para Mr. Hammer parecer ser seduzir uma viúva rica que lá se hospeda. Eis que surgem então mais dois hóspedes, com malas vazias e nada dispostos a pagar, Harpo e Chico, cuja intenção é bastante óbvia: furtar os bens do hotel e dos clientes. Zeppo Marx também atua neste longa, mas seu personagem não tem muito a dizer. Como se verá nos próximos filmes, cabe a ele o papel de galã e bom moço no meio de toda a balbúrdia ocasionada pelos outros personagens.

As gags e os estereótipos que serão recorrentes na obra dos Marx começam a ser delineados aqui: Groucho, sempre o espertalhão e bom vivant; Margaret Dumont, que terá ainda outras 7 aparições junto aos Irmãos, a viúva milionária e ingênua; Harpo e Chico, os trambiqueiros de atitutes  grosseiras e bizarras, que não perdoam os vilões, muito menos os mocinhos nas suas ações. E é claro, Zeppo, que interpretaria o galã deste e mais outros 4 filmes.

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Este não é considerado um dos filmes mais memoráveis da trupe, apesar do grande sucesso à época do lançamento. A Paramount, sabiamente, evitou que os Marx comprassem e recolhessem o original. E o sucesso rendeu ainda mais 4 filmes em parceria com a produtora, quando então os irmãos se mudam para a MGM (fato que alteraria sutilmente o estilo até então visto, mas discutiremos isso mais a frente).

As gags visuais de Harpo funcionam bem (como sempre). Repare no jeito absolutamente nonsense com que ele faz com que as pessoas segurem sua perna (!).E nos objetos mais absurdos do dia-a-dia que acabam virando comida. E é claro, o cigarrinho estranho e seus efeitos sobre o personagem. Enquanto isso, temos em contraposição ao Harpo, o  humor (absolutamente) verborrágico de Groucho. Como uma notória exploração dos novos recursos sonoros a serem oferecidos com o cinema, temos piadas rápidas, repletas de duplo sentido e jogos sonoros mesmo. Ponto alto: Chico e Groucho discutindo os motivos do “viaduct” ou “why a duck?!”.

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Me despeço disponibilizando os links pra download e legenda. Até!

[Retrospectiva Irmãos Marx] #motivações

22 maio

Antes de mais nada, explicações. Achei que seria algo interessante dispor aqui neste espaço de uma retrospectiva completa da obra dos Irmãos Marx, enquanto trupe. Sim, todos os 13 filmes, analisados de forma amadora, por óbvio (não temos uma crítica especializada em cinema aqui senhores).

E justificado pelo fato de ser uma retrospectiva, nada mais justo que disponibilizar meios de encontrar os filmes na internet. Não nos denuncie!

Essa foi a breve explicação. Ademais, como fã dos Marx, tento fazer com que todo mundo assista pelo menos um filme deles.

Ah, você é fã de alguma coisa aí também, vai me entender!

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Random Access Memories (ou, os problemas de tentar especular sobre o futuro)

16 maio

Assisti essa semana ao Depois de Maio, um drama francês que relata a vida de jovens artistas e pretendentes a intelectuais no início da década de 70. E então, umas observações, ordinárias mesmo, começam a me cutucar durante a sessão: Como eles parecem com o mesmo pessoal que encontro no ambiente universitário! Como eles agem, e se vestem e questionam as mesmas coisas! Como algumas pessoas de hoje se esforçam pra parecer com o pessoal desse filme! Mas espera, não é cool ser retrô? Não é cool ter uma atitute política pra chamar de sua?! Mas, espera ainda, todas essas “importações” ainda se encaixam no contexto atual?

Por que tanto fascínio pelo passado? Ele não nos serve em muitos aspectos. Não significa, porém, que prego uma postura contra tudo que venha (hum) do distante século XX, ou qualquer década específica do mesmo. Pelo contrário, e não entrarei no mérito dessa discussão. O meu ponto é, o nosso gosto pelo passado, pelas idéias, pela estética e o que mais você quiser por no saco, não precisa de um período de adaptação ou mera digestão? Ilustração medíocre, quem há 10 anos, usaria um wayfarer pra parecer cool? Quantos você via pregando militância comunista por aí?

(…e estou me alongando num ponto que não é o principal)

Quando o momento que você resolve ressuscitar determinado estilo do passado, bem, não é bem o momento certo? E se o público não digerir isto bem, hoje? O que dizer então do recentíssimo Random Access Memories do Daft Punk?

Concordemos que essa é a melhor capa ever da dupla...

Concordemos que essa é a melhor capa ever da dupla…

Sim, esperei ansiosa pelo lançamento. Sim, acompanhei todos os teasers. Sim, ri quando o álbum vazou depois de todo o mistério que pairava sobre ele. E sim, minha opinião geral é de que é um bom álbum e me agradou bastante.

Absolutamente contrastante com o resto da carreira da dupla, não é um favorito, porém, e não possui tantos pontos altos como Discovery ou Homework (este, com um lugar especial no meu coração ♥). Mas “Random…” é cativante. Perdoem-me o trocadilho, é o álbum mais  humano do Daft Punk, apesar de tudo!

Além disso, me soou como  relativamente anacrônico. A homenagem à música eletrônica dos anos 80 funciona na sua forma. Mas e se isso ficar na forma?

Ok, Daft Punk pode ser perdoado pelas inovações que já trouxe.

Ok, Daft Punk pode explorar o passado uma vez que (talvez) já tenha explorado demais o futuro.

E se a música pop atual estiver saturada do revival dos anos 80 da década passada? Será que as baladinhas românticas cheias de sintetizadores de “Random…” vão surtir algum efeito no cenário eletrônico na década atual?

Prefiro não fazer previsões.

E em defesa da minha postura, cito um artigo que li num site nova iorquino  no dia seguinte ao vazamento na internet. O autor defendia que era cedo demais para qualquer crítica sobre o álbum: ele ainda não teve tempo de “viver”. Ninguém ainda teve a oportunidade de ouvi-lo em situações possíveis de senti-lo. O que concordo plenamente (apesar de estar resenhando mesmo antes do lançamento oficial!).

Reitero, portanto: deixemos Random Access Memories viver, para aí então, dizer qualquer coisa mais coerente com as suas impressões no mundo musical. Se ele vai se adaptar ou não a nossa década, ou qual será o futuro do Daft Punk, bem…

Sorte!

Obs.: Infelizmente não há muitas faixas verdadeiras no Youtube para disponibilizar aqui. Arranjarei um jeito de disponibilizar pelo facebook em breve, espero.

Divirtam-se com Julian Casablancas e Daft Punk. E o auto-tune.

Até.

çedussaum maskarada

çedussaum maskarada

álbum da semana #1

19 abr

Vamos ao 1º post sério dessa bagaça: tratar-se-á, meu leitor perspicaz, da coluna fixa em que eu, Caroline, dissertarei brevemente sobre álbuns-que-me-surpreenderam-e-preciso-fofocar. Bem simples.

Explicação breve, porém necessária. Pra mim. Não sei se pra você foi.

Vamos a ele: Worm Love, de 2012, da banda carioca experimental Chinese Cookie Poets.

wormloveccp

O que esperar: barulho, barulho, BARULHO! (note o extremo simplismo desta que vos escreve)

O que eu posso spoilear: Apesar de ter lido alguns artigos sempre ressaltando as qualidades das faixas Plastic love e Chinatown Blues, eu, humildemente, gostaria de spoilear (como favorita do álbum) a En la mano del payaso.

Pra se identificar desde o início. E o clip também não vai nada mal.

http://www.youtube.com/watch?v=Jx_Ydx1_40U

E se eu despertei qualquer sentimento de curiosidade no seu coraçãozinho, checa lá as páginas da banda. Download dos EPs e deste mesmo álbum, disponibilizados bem didaticamente

http://www.facebook.com/pages/Chinese-Cookie-Poets/201923506516532

http://chinesecookiepoets.bandcamp.com/

Quando você tirar suas próprias conclusões volta aqui pra gente prosear.

toc toc toc

2 abr
koe mãe, abre aew, perdi as chaves no role

koe mãe, abre aew, perdi as chaves no role

Textinho de apresentação é meio over. Deixo implícito o que poderá vir a seguir por aqui